Juliet Marillier é a senhora da fantasia, um marco neste género e uma das autoras mais amadas mundialmente pelas suas histórias cheias de mitos, folclore e história, onde a magia se une aos contos para dar ao leitor uma experiência que ninguém conseguirá igualar e que todos irão recordar.
Esta foi a minha estreia com Juliet Marillier e acho que não poderia ter sido melhor. A sua escrita é encantadora e a sua imaginação prodigiosa transportou-me para o seu viciante universo.
É tão mais difícil explicar porque é que se gosta duma coisa, do que arranjar defeitos a outra que não se goste!
Shadowfell é o início de uma nova trilogia que promete conquistar os leitores e trazer a magia aos nossos corações. No negrume de um mundo em queda, onde as palavras são pensadas e os atos podem levar à morte, onde ser diferente é um desafio ao poder e todos nos podem renegar, Neryn está destinada a lutar sozinha e a percorrer caminhos abandonados.
Abrir um livro de Marillier é entrar num novo mundo, cheio de encanto, magia e lendas, que se apodera de nós e nos aconchega.
Juliet Marillier apresenta-nos um mundo onde a magia é agora considerada uma abominação. O que antes era uma arte respeitada e de valor tornou-se alvo de perseguição, de tortura e de repúdio.
Um dos grandes trunfos desta obra é, sem dúvida alguma, a sua protagonista, Neryn. Com uma infância dolorosamente amarga e, logo a partir das primeiras páginas, órfã, esta jovem é um símbolo de força, persistência, e esperança que, no fundo, são as palavras de ordem que a guiam. Quando perde o seu pai, Neryn encaminha-se para um local de que apenas ouviu falar em sussurros - Shadowfell. É na sua demanda que se cruza com um estranho misterioso que parece estar empenhado em mantê-la viva e a caminho deste lugar... ou será que tem outro propósito?
Assim, todo este primeiro livro gira em torno da longa caminhada da sua protagonista, um caminho duro e trilhado para alguém único, como só ela, Neryn, poderá vir a ser. É uma jornada repleta de sabedoria, de surpresas, de perigos e de louvores, que encantará o leitor pelas suas mil e uma maravilhas e que surpreenderá com o toque das lágrimas, assim como dos sorrisos.
Neryn e Flint são duas personagens fortes que conquistam desde cedo o leitor. Enquanto Neryn vai descobrindo e desenvolvendo o seu Dom (as suas batalhas e lutas interiores fazem o próprio leitor pensar no que fariam no lugar dela), Flint, para mim a minha personagem favorita, apresenta uma personalidade tal que é impossível não nos compadecermos com o fardo que carrega. Ele é profundo, dedicado e misterioso e traz com ele muitos dos momentos mais impressionantes, conquistando-me desde o início. Também Regan, personagem que conhecemos mais para o fim, nos desperta a curiosidade sobre si e penso que ainda haveremos de saber mais sobre ele.
Já os Boa Gente são incríveis, inesperados e tão mágicos que qualquer momento com eles está cheio de significados, duplos sentidos e muitos mistérios.
Cada personagem é um motivo para gostar deste livro, e cada uma delas é uma surpresa, capazes dos maiores atos de benevolência como da mais total entrega ou disciplina, cheios de truques e enganos, transparentes, verdadeiros e totalmente irresistíveis.
Através do fantástico, é interessante verificar que são abordados variadíssimos temas pertinentes, como o de que nunca se deve desistir e de que o bem deve sempre lutar contra o mal.
Flint acaba por ser uma descoberta gratificante no final da obra, principalmente depois de muitas páginas em que revela uma faceta misteriosa fazendo-nos querer e desejar saber mais sobre si.
Juliet leva-nos pela floresta, por entre lendas e fantasia, relembra-nos a essência do Bem e do Mal e mostra-nos que a linha entre ambos é muito ténue, numa demanda onde a bondade, a partilha e a ânsia andam de mãos dadas em busca de um futuro melhor. Na corrida pela sobrevivência, valores são postos a prova, criaturas lendárias ganham vida, inimigos podem ser amigos, e entre provas de coragem, a solidariedade pode fazer a diferença. Mesmo na adversidade, quando existe uma centelha de generosidade, o equilíbrio pode ser testado e alterado.
Acompanhar Neryn pode ser uma viagem solitária mas nunca maçadora, pois cada revelação, cada prova, era um momento de cortar a respiração, cada impasse era capaz de fazer o meu coração bater mais depressa, os meus olhos arregalaram-se de espanto do início ao fim deste livro.
Por tudo isto, este é um livro que leva nota máxima dentro do seu género literário por tudo o que me fez sentir e pela quantidade de sentimentos bons que me transmitiu através da sua protagonista que irradia bondade e generosidade acompanhadas de gestos de partilha.
A Neryn e o Flint separam-se no fim com um "talvez", o que não é nada satisfatório para mim, mas que faz muito sentido dentro dos acontecimentos. Que eles resolvam isto depressa para eu ter o meu final feliz.
É o livro que vão devorar, que vai enternecer-vos e do qual vão esperar a continuação como se a vossa vida dependesse disso.